quando a bula já não pode mais segurar as paredes rachadas
quando o riso inquieto e a empatia contagiante é nada mais que um tipo de grito
quando a cor negra perde espaço para o cinza pálido
quando ir pra casa já não é mais deitar a cabeça para descansar
quando olhar para o céu é despedir-se da própria fé
quando se é maria e não se sabe mais quem se é.
30 de maio de 2012
27 de março de 2012
macro
fez um retrato dela de longe. ali, parada, no balanço de luz exata, era a pose displicente perfeita, sem saber ele que do lado de dentro ela exercitava a ausência dos olhos: queria saber por quanto tempo mais aguentaria imaginá-lo sem tê-lo por perto.
a resposta veio logo: 1/4000 - f1.4
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22 de março de 2012
sobre a vida ou 'vem dar risadas aqui perto de mim, vem'.
na verdade, pensou que pela vontade poderia trazê-la de volta.
afinal, na saudade já havia muita força pra puxá-la pra perto.
mas abriu os olhos e continuou a não ver nada mais do que as fotos de quando as duas eram pedrinhas da sorte lançadas na vida.
afinal, na saudade já havia muita força pra puxá-la pra perto.
mas abriu os olhos e continuou a não ver nada mais do que as fotos de quando as duas eram pedrinhas da sorte lançadas na vida.
7 de março de 2012
inquilino
[aqui dentro já não cabe mais palavras.
não cabe mais lembranças,
não cabe nem mais um desejo.
todos,
eu disse: todos os espaços já foram amplamente preenchidos.
e agora? eu te pergunto.
posso alugar um espaço aí dentro de você pra colocar um tiquim de mim?]
não cabe mais lembranças,
não cabe nem mais um desejo.
todos,
eu disse: todos os espaços já foram amplamente preenchidos.
e agora? eu te pergunto.
posso alugar um espaço aí dentro de você pra colocar um tiquim de mim?]
21 de fevereiro de 2012
31 de janeiro de 2012
pra enlouquecer
fala comigo com a língua na ponta dos dentes: di-va-ga-rim-nhu.
assim mesmo.
como se sem pressa a gente durasse mais,
como se falando e parando para mastigar o tempo se esquecesse de nós.
esquecesse que a gente tem apenas dias pra contar aos outros,
mas tem um mundo inteiro dentro de cada nós.
gerando filhos e vidas a cada hora.
gerando incontáveis juras de amor que ficam presas nas palavras inexistentes.
porque ninguém inventou ainda o tempo certo pra você poder ir embora sem me deixar saudade.
e ainda não foram grandes o bastante pra inventarem a palavra que cabe você.
assim mesmo.
como se sem pressa a gente durasse mais,
como se falando e parando para mastigar o tempo se esquecesse de nós.
esquecesse que a gente tem apenas dias pra contar aos outros,
mas tem um mundo inteiro dentro de cada nós.
gerando filhos e vidas a cada hora.
gerando incontáveis juras de amor que ficam presas nas palavras inexistentes.
porque ninguém inventou ainda o tempo certo pra você poder ir embora sem me deixar saudade.
e ainda não foram grandes o bastante pra inventarem a palavra que cabe você.
costa leste
a dança dos pés na areia me faz lembrar que de mãos dadas a gente se faz par,
mas é nos olhos que construímos nossas pontes.
faz falta de contar essas coisas,
te contar que escolhi aquele vestido pra usar essa tarde só porque você sorriu quando o viu balançar na primeira vez que o usei.
te contar que havia nove copos na hora do brinde, dividindo uma centena de cervejas estupidamente geladas, e várias vozes a contar sobre as esquinas e os prazeres da vida, mas que na hora de esbarrar o pé, assim sem querer, por debaixo da mesa, não tinha você.
olhando pra vista da foto que eu fiz pra você eu me lembro:
não tem arte sem observador, amor.
vou voltar correndo para sua paisagem.
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