22 de março de 2012

sobre a vida ou 'vem dar risadas aqui perto de mim, vem'.

na verdade, pensou que pela vontade poderia trazê-la de volta.
afinal, na saudade já havia muita força pra puxá-la pra perto.
mas abriu os olhos e continuou a não ver nada mais do que as fotos de quando as duas eram pedrinhas da sorte lançadas na vida.

7 de março de 2012

inquilino

[aqui dentro já não cabe mais palavras.
não cabe mais lembranças,
não cabe nem mais um desejo.

todos,
eu disse: todos os espaços já foram amplamente preenchidos.
e agora? eu te pergunto.
posso alugar um espaço aí dentro de você pra colocar um tiquim de mim?]

21 de fevereiro de 2012


[a gente na sala,
a troca de olhares
a folia de pernas]

o carnaval foi pouco.

[ali na piscina
te olhar na cozinha,
fingir estar de olhos fechados só pra prolongar o seu sono com o meu]

volta logo.
coloca de novo o colchão no chão pra'gente brincar de casal.
vamos passar todos os feriados assim, vamos.




31 de janeiro de 2012

pra enlouquecer

fala comigo com a língua na ponta dos dentes: di-va-ga-rim-nhu.
assim mesmo.
como se sem pressa a gente durasse mais,
como se falando e parando para mastigar o tempo se esquecesse de nós.
esquecesse que a gente tem apenas dias pra contar aos outros,
mas tem um mundo inteiro dentro de cada nós.
gerando filhos e vidas a cada hora.
gerando incontáveis juras de amor que ficam presas nas palavras inexistentes.

porque ninguém inventou ainda o tempo certo pra você poder ir embora sem me deixar saudade.
e ainda não foram grandes o bastante pra inventarem a palavra que cabe você.

costa leste



é lá no horizonte, onde criam-se os ventos, que meus olhos se perdem e pedem um pouco mais de cais.
a dança dos pés na areia me faz lembrar que de mãos dadas a gente se faz par,
mas é nos olhos que construímos nossas pontes.

faz falta de contar essas coisas,
te contar que escolhi aquele vestido pra usar essa tarde só porque você sorriu quando o viu balançar na primeira vez que o usei.
te contar que havia nove copos na hora do brinde, dividindo uma centena de cervejas estupidamente geladas, e várias vozes a contar sobre as esquinas e os prazeres da vida, mas que na hora de esbarrar o pé, assim sem querer, por debaixo da mesa, não tinha você.

olhando pra vista da foto que eu fiz pra você eu me lembro:
não tem arte sem observador, amor.
vou voltar correndo para sua paisagem. 



25 de janeiro de 2012

pra quem faz cócegas em meu coração

tododiaeuquerotedizerumacoisanoouvido.
tododiaeuquerolembrarvocêdemim.
tododiavocêmeacordaempensamento
e
tododiaeuquerodizerquemeueuésópravocê.

a dança

fiz um desenho pra você,
escrevi um recado,
dobrei o papel e não soube o que fazer.

coloquei meu cheiro nele,
minhas vontades e meu coração.

coloquei tudo, do único jeito que eu sei fazer.

mas guardei.

era tudo que eu tinha pra te dar,
mas olha,
vai que era pouco pra você.