mergulhada numa tranquila fúria, não sabe bem como domar todas essas emoções escandalosas...
então sobe mais uma vez, ofegante, para pegar ar.
e de novo,
pula.
pula no silêncio a fim de reencontrar sentido: já não sabe como voltar.
encontrou na loucura o caminho certo para se deixar perder. e perder-se é ludibriar a vida. é enganar a rotina. é matar, devagarinho, a crença de que o erro pode ser apontado.
o erro, na loucura, é sempre perdoado.
24 de junho de 2014
28 de maio de 2014
criadouro de minhocas
era tudo meio sem sentido, confesso.
as conspirações perfeitas, os encaixes de interesses.
a loucura estava batendo à minha porta e eu abri.
as conspirações perfeitas, os encaixes de interesses.
a loucura estava batendo à minha porta e eu abri.
como um bicho faminto, que rói até os ossos, pude perceber o caminho exato que ela estava fazendo.
e eu, sã que sou, deixei.
cotidiano
tratou de por de volta os selos em cima da mesa.
preparou caneta, folhas e pensamentos.
preparou o coração para se deixar transbordar e colocar no papel a saudade que estava de te falar
falar das coisas que passam na rua, dos cheiros que sente no ar
falar da ultima receita que encontrou pra tentar parar de fumar
falar dos vícios de linguagem e dos filmes repetidos preferidos da tv
falar que adora uma música dramática porque pra ser feliz, basta viver
transformou em cotidiano: chegar, sentar e te escrever.
sair, cantarolar e voltar louca para te receber.
transformou em cotidiano: organizar letras, escrever à mão, dobrar, colar e postar.
esperar três dias, pensar na resposta e depois te ler.
bom ter você de volta...
estava mesmo com saudade, amiga.
30 de maio de 2012
maria ou a insustentável leveza do ser
quando a bula já não pode mais segurar as paredes rachadas
quando o riso inquieto e a empatia contagiante é nada mais que um tipo de grito
quando a cor negra perde espaço para o cinza pálido
quando ir pra casa já não é mais deitar a cabeça para descansar
quando olhar para o céu é despedir-se da própria fé
quando se é maria e não se sabe mais quem se é.
quando o riso inquieto e a empatia contagiante é nada mais que um tipo de grito
quando a cor negra perde espaço para o cinza pálido
quando ir pra casa já não é mais deitar a cabeça para descansar
quando olhar para o céu é despedir-se da própria fé
quando se é maria e não se sabe mais quem se é.
27 de março de 2012
macro
fez um retrato dela de longe. ali, parada, no balanço de luz exata, era a pose displicente perfeita, sem saber ele que do lado de dentro ela exercitava a ausência dos olhos: queria saber por quanto tempo mais aguentaria imaginá-lo sem tê-lo por perto.
a resposta veio logo: 1/4000 - f1.4
a resposta veio logo: 1/4000 - f1.4
22 de março de 2012
sobre a vida ou 'vem dar risadas aqui perto de mim, vem'.
na verdade, pensou que pela vontade poderia trazê-la de volta.
afinal, na saudade já havia muita força pra puxá-la pra perto.
mas abriu os olhos e continuou a não ver nada mais do que as fotos de quando as duas eram pedrinhas da sorte lançadas na vida.
afinal, na saudade já havia muita força pra puxá-la pra perto.
mas abriu os olhos e continuou a não ver nada mais do que as fotos de quando as duas eram pedrinhas da sorte lançadas na vida.
7 de março de 2012
inquilino
[aqui dentro já não cabe mais palavras.
não cabe mais lembranças,
não cabe nem mais um desejo.
todos,
eu disse: todos os espaços já foram amplamente preenchidos.
e agora? eu te pergunto.
posso alugar um espaço aí dentro de você pra colocar um tiquim de mim?]
não cabe mais lembranças,
não cabe nem mais um desejo.
todos,
eu disse: todos os espaços já foram amplamente preenchidos.
e agora? eu te pergunto.
posso alugar um espaço aí dentro de você pra colocar um tiquim de mim?]
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