helena carregava uma bolsa de sonhos.
em cada passeio um sonho a menos e muitos sonhos a mais, ela dizia.
a bolsa enganava pelo tamanho.
numa roda de amigos, a pequena, remendada e desbotada bolsa de helena escondia que ali ela carregava o sonho de todos eles e ainda os dela.
helena não trocava sonhos por moedas e nem mesmo jogava-os ao vento como sementes.
criteriosa, ela abraçava um estranho na rua e assim, sutil, sem que o escolhido percebesse, e colocava o sonho dobradinho em seu bolso.
era perceptível que, ao andar, helena exalava gratidão de nunca ter visto ninguém jogar seus sonhos fora.
24 de janeiro de 2012
22 de janeiro de 2012
tatame
como num passo repetitivo, ele precisa mostrar que a luta se vence por insistência.
um nocaute conquistado pelo cansaço.
então, pega suas luvas em mais uma manhã e inicia todo o preparo. todo o aquecimento para que ele mesmo não seja afetado por sua própria tática.
é que não adianta muito, a vítima, em sua condição, deve se render,
gritando ou não.
o embate só termina quando ele vence.
seja lá qual for o prêmio.
um nocaute conquistado pelo cansaço.
então, pega suas luvas em mais uma manhã e inicia todo o preparo. todo o aquecimento para que ele mesmo não seja afetado por sua própria tática.
é que não adianta muito, a vítima, em sua condição, deve se render,
gritando ou não.
o embate só termina quando ele vence.
seja lá qual for o prêmio.
16 de janeiro de 2012
15 de janeiro de 2012
o calendário, os ponteiros do relógio e todos os números esquecidos
e se alguém perguntar, ela não tem respostas.
ela vai sorrir mais um sorriso
e vai dizer, como quem pede desculpas: aconteceu.
e acontece sempre, todos os dias. basta saber olhar.
ela vai sorrir mais um sorriso
e vai dizer, como quem pede desculpas: aconteceu.
e acontece sempre, todos os dias. basta saber olhar.
6 de janeiro de 2012
26.12.2011
porque tem hora que a gente esquece que é gente
e quer ser só gesto.
[palavra gritada de amô]
e quer ser só gesto.
[palavra gritada de amô]
2 de janeiro de 2012
sobre o cheiro do tempo
é que o vento bateu em nossa porta, amor
pra me dizer que de hoje não passa.
disse que devo tomar o meu sempre banho da manhã,
pentear os poucos cabelos que ainda me restam,
entrar em minha roupa menos rasgada
e, se puder, deixar a porta aberta.
assim, desse jeito rasteiro, é que o tempo vai vir me buscar
e dizer olá com o mais doce sorriso,
me levar pra passear e quem sabe, amor,
quem sabe no caminho eu consigo te encontrar...
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