concordo plenamente, querida
mas antes eu gostaria de dizer algumas coisinhas sobre tudo que venhamos a dizer que são pensamentos e na verdade, são divagações repetidas e recriadas como se fossem o puro estalo de compreensão.
- não existe uma verdade estabelecida quando se fala em mais de uma pessoa envolvida.
- abrir-se à compreensão não quer dizer ser idiota.
- não aceitar ou simplesmente ir contra à corrente não quer dizer ser intransigente.
um dia ela andava só de tênis. não suportava a idéia de ter a pele dos pés exposta. tinha nojo. asco. depois ela gostou do modelo de sandalia gladiadora. essa é pesada, não parece uma bicha. agora quer os sapatos meia pata. extravagante. mas ainda anda de tênis. e eu te pergunto: mutação ou crescimento?
te respondo: quem não pensa não muda.
7 de abril de 2010
2 de abril de 2010
estórias de ponto de ônibus
todo mundo sabe que a palavra nunca existe pra dizer "logo"
e todo mundo sabe que coração machucado é casa desorganizada:
agita a calmaria estabelecida, propões novas condições de bem estar e depois voltam a se deitar nas cadeiras com as pernas na mesa.
sentada num banco de ônibus ela reclamava pra si mesma a perda do tempo dedicado, lamentava das verdades pré-fabricadas e cantarolava que "se alguém agora procurar por você, talvez não ache mais em mim".
era o uso do talvez substituindo o "nunca" com muita sensatez.
e todo mundo sabe que coração machucado é casa desorganizada:
agita a calmaria estabelecida, propões novas condições de bem estar e depois voltam a se deitar nas cadeiras com as pernas na mesa.
sentada num banco de ônibus ela reclamava pra si mesma a perda do tempo dedicado, lamentava das verdades pré-fabricadas e cantarolava que "se alguém agora procurar por você, talvez não ache mais em mim".
era o uso do talvez substituindo o "nunca" com muita sensatez.
5 de março de 2010
pra não dizer que não falei de amigos
hostilidade, querido.
não mais raiva, não mais decepção, não mais ódio escancarado nos olhos.
não mais tristeza, não mais dor, não mais pensamento de tempo perdido com você.
uma vez ela disse. traição é imperdoável.
e ela não sabe bem o que foi que você fez,
mas sabe,
você deixou de fazer tanta coisa.
e aí ela deixou de responder a teu "olá" como quem troca de música porque enjoou do refrão.
assim.
com aquela melancolia de aprender uma nova letra,
e com um rastro de melodia familiar na cabeça.
não mais raiva, não mais decepção, não mais ódio escancarado nos olhos.
não mais tristeza, não mais dor, não mais pensamento de tempo perdido com você.
uma vez ela disse. traição é imperdoável.
e ela não sabe bem o que foi que você fez,
mas sabe,
você deixou de fazer tanta coisa.
e aí ela deixou de responder a teu "olá" como quem troca de música porque enjoou do refrão.
assim.
com aquela melancolia de aprender uma nova letra,
e com um rastro de melodia familiar na cabeça.
3 de março de 2010
24 de fevereiro de 2010
quando o mundo gira.
porque ela não consegue mais segurar tudo dentro de si e precisa dizer amor, quando vamos mesmo passar a tarde olhando o sol esquentar essa natureza toda e planejar as férias dessas crianças que ainda nem geramos? porque ela precisa sentir a vida existindo em sua veia para se permitir amar aquele homem, que é mesmo o menino dos olhos castanhos mais lindos. porque só vivendo às pressas é que ela vive o agora e vive o hoje e vive o sempre, e vive esse tal de amor que ela chegou um dia a desconfiar que era coisa de novela sua existência.
porque desde que se olharam com muita raiva, surgiu o muito amor e agora não brigam mais pelo lado da cama que dá para a parede, porque ela gosta mesmo de assistir tv olhando ele dormir suado. é ela gosta de ficar olhando e imaginando que mesmo com rugas ele ficaria lindo e ainda teria este cheirinho de neném gostoso. porque ela se sente mãe e mulher e a melhor amante quando se deita do lado direito da cama e se embola entre pernas mesmo que seja para vê-lo dormir enquanto finge que assiste tv.
porque desde que se olharam com muita raiva, surgiu o muito amor e agora não brigam mais pelo lado da cama que dá para a parede, porque ela gosta mesmo de assistir tv olhando ele dormir suado. é ela gosta de ficar olhando e imaginando que mesmo com rugas ele ficaria lindo e ainda teria este cheirinho de neném gostoso. porque ela se sente mãe e mulher e a melhor amante quando se deita do lado direito da cama e se embola entre pernas mesmo que seja para vê-lo dormir enquanto finge que assiste tv.
8 de fevereiro de 2010
a primeira vez que admitiu ver as estrelas sem contar com o dedo indicador
tinha um espaço guardado ali.
pensou em pegar o avião e ver as chuvas de julho que ele dizia ser um terror.
pensou em pegar um ônibus para se encontrarem no meio do caminho,
afinal, as praias... ah as praias que ela tanto odiava e ele fazia pose para cada foto de mar ao fundo.
mas ele a fazia rir.
fazia ela pensar que o sotaque de lá era o mais lindo de todos os lugares e que o nome dele era mesmo muito mais que nome bíblico.
era nome de amor.
fazia ela pensar que todos os desamores do meio do caminho não significavam nada além de passa-tempo divertido. afinal, nada como começar uma conversa perguntando "e aí, como vai o relacionamento" e esperar como resposta "nada bem". e esperar como resposta "melhor quando penso que podia ser você".
melhor quando acorda e vê que tinha um espaço ali, na agenda telefônica e agora não tem mais. que o nome sumiu dos seus sonhos, que as conversas diminuíram de rítmo e que o nome dele é mesmo muito bonito, mas não é bíblico. porque ela não gosta de igreja. ela gosta é da realidade com sabor de historinha e por isso prefere que seja assim.
de longe.
de "um dia vai que acontece".
mas que a vida não pára pra esperar na rodoviária a bagagem extraviada.
pensou em pegar o avião e ver as chuvas de julho que ele dizia ser um terror.
pensou em pegar um ônibus para se encontrarem no meio do caminho,
afinal, as praias... ah as praias que ela tanto odiava e ele fazia pose para cada foto de mar ao fundo.
mas ele a fazia rir.
fazia ela pensar que o sotaque de lá era o mais lindo de todos os lugares e que o nome dele era mesmo muito mais que nome bíblico.
era nome de amor.
fazia ela pensar que todos os desamores do meio do caminho não significavam nada além de passa-tempo divertido. afinal, nada como começar uma conversa perguntando "e aí, como vai o relacionamento" e esperar como resposta "nada bem". e esperar como resposta "melhor quando penso que podia ser você".
melhor quando acorda e vê que tinha um espaço ali, na agenda telefônica e agora não tem mais. que o nome sumiu dos seus sonhos, que as conversas diminuíram de rítmo e que o nome dele é mesmo muito bonito, mas não é bíblico. porque ela não gosta de igreja. ela gosta é da realidade com sabor de historinha e por isso prefere que seja assim.
de longe.
de "um dia vai que acontece".
mas que a vida não pára pra esperar na rodoviária a bagagem extraviada.
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