6 de janeiro de 2010

a gente se casa ou se cala?

porque a gente se mata cada vez que se amarra,
e faz da palavra fácil a arma que corta, mas logo que se seca
- o sangue, não a a fala.

ela ia te engolir, pra ficar mais fácil
ia digerir.
ia tomar anti-ácido em dose dupla só pra te conter.





ia do verbo não-sei mais-o que-faço.

24 de novembro de 2009

abre
fecha
desliga
desliza
me emburro,
te empurro
me faço e desfaço neste embolado de palavras que só queriam ser cama.
sabe,
dois corpos poderiam sempre ocupar o mesmo espaço.

12 de novembro de 2009

depois do ponto, o silêncio

eu nunca tinha te visto assim, tão de perfil, querida.
máquina de escrever ao colo...
nem perto cheguei de escrever uma palavra se quer como as tuas.
somente cartas de amigos... amores pouco reconhecidos...
lágrimas, gargalhadas e diversas vírgulas de dissimulação.
tudo agarrado ao tipo gráfico daquela herança.

galeano me disse uma vez,
"poucos são os que dão com palavras algo mais do que nada"

eu jurei nunca mais esquecer.

10 de novembro de 2009

pode ser?


façamosumtrato: eufechoosolhosevocenãodesgrudadosmeuslábios.



foto: adelaide ivanova

3 de novembro de 2009

contra-regra

toda perna deveria ser um dia colo. ser um dia em coro os passos largos da pressa. ser sempre os passos certeiros da sua chegada.
nenhuma nova mania deveria tomar lugar deste tédio gostoso de esperar o sono chegar, cantarolando palavras cruzadas, perdidas durante todo o caminho de chegar até aqui.

... ela fez juramentos de segredos que nem se lembra mais, e fica feliz de cumprir o combinado de acreditar em todos os sonhos impossíveis...

28 de outubro de 2009

tarde de hoje

enlouquecida na vontade de entardecer o medo.
velho, ela queria correr com tempo.
cruzando línguas em formato de promessas.
não acreditava mais nos sonhos de anteontem.

acreditava na própria esperança e se desfazia na vontade de existir mais uma vez.

inversão.
seu pensamento mudava a cada novo olhar cruzado vacinado contra a raiva.

seria loucura, meudeus?

15 de maio de 2009

que seria das curvas sem os apertos...?

o dia fica mais solto quando a gente não tenta se fazer do outro.
quando eu deito pra sentir e ver você sorrir.
quando seus olhos não procuram teus pensamentos em mim.

a gente se ama mais quando deixamos de querer ser e somos.
quando não fingimos ser cozinheiros para moldar como bolinhos-de-chuva o querer alheio...